quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Meditações IV.

IV.
Então diremos sobre o óbvio, na dependência do homem a natureza, embora por meios próprios, consiga de certo modo transmutar e transformar em formas e estados a natureza, felizmente precisamos estar sempre unidos a natureza. Não é estranho que os menos próximos as grandes cidades, em grande maioria não sofram de tantas doenças como aqueles que morem nas majestosas cidades, não sofrendo também de sua violência e muitos de seus infortúnios, pois eles podem viver tranquilamente do que plantam e colhem.
Estranhamente, venho observado muitas questões sendo ditas sobre o que seria coragem, infelizmente matar ou mesmo ser perigoso não é coragem, na verdade é nítida loucura que gera dor desnecessária, embora alguns não pensem assim. Mas a verdadeira coragem, infelizmente para muitos é algo muito sutil, devemos em verdade dizer que é entregar o coração a alguém, pois ser atacado no corpo é capaz de ferir, mas a quem o ama, pode feri-lo mil vezes mais com muito pouco, podendo ser apenas um olhar. Quantas pessoas em tua vida encontrou que padeceram por amor a alguém, sofrendo de mal estar e muitas dores, pois o ferimento não é no corpo, sendo pior, pois é na alma, maltratando-a e diferente do corpo, ela pode nunca curar-se de uma atitude mal tomada, permanecendo presa a esta condição para sempre. Pois a mente diferente do corpo, esta envelhece em seu próprio tempo, onde os cabelos podem embranquecerem, o corpo torna-se mais frágil e os olhos não verem com a mesma nitidez, mas se por apego e ego, o sofrimento do passado, permanece vivo no coração.
Agora consegue entender? Quanto ao que retorno agora por ter falado da natureza, acredito que toda a forma de buscar-se saúde esteja atrelada a buscar-se tornar mais natural, embora seja óbvio, digo-o no sentido interno, deve-se ser mais transparente, embora permaneça em teu interior o impasse entre o divino e o animal. Onde em clareza, pode-se escolher no agora quem irá seguir, se o elevado ao mundano, aquilo que é transcender ou permanecer, mas como o cuidado que certa vez falei, todos podem livremente ter atenção a suas ações ou não, sofrendo sempre de suas escolhas...
Pois todas as coisas externas no humano são ao que me aparenta reflexos das interiores, se olhar a alguém e lhe parecer que a pessoa em sua natureza ou no seu modo possui certo defeito, não estranhe que esta não perceba, pois você também é assim, mas não ninguém o diz, pelo mesmo motivo. Acredito que o deus que criou a Humanidade, sendo este de sua crença, seja no oriente ou ocidente, este ser viu que seria mais proveitoso que as suas criaturas aperfeiçoassem em conjunto, mas infelizmente, demoramos muito para perceber e mais ainda para entender direito, continuemos meditando juntos.

Quetzalcoati a mover-se.


Em sua escama emplumada no olhar escondem,
Suas intenções no olhar de ser sibilante,
Nas escamas mistérios esquecidos tanto adotem,
Dos reinos vários a coexistir é viajante,
No milho o símbolo da transformação denotem,
De seus grãos se nasce algo mirabolante,
Na Humanidade que assim infeliz poucos lembrem,
Pois de sua própria origem é oscilante,
Ser que assim caminhou no inferno,
Dando a nós o significado interno. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Meditações III.

III.
Entendo o que foi dito por ti e também por ti, meus ouvintes. Quanto ao assunto de aparecer em meu discurso que eu valorizo muito esta questão do cuidado, devo dizer que o cuidado ele é o fundamento a toda saúde quanto a um relacionamento. Seja de um deus a um homem ou de pai a um filho, mas principalmente daqueles unidos no amor, pois se estão unidos neste, eles devem cuidar deste, acredito que como a nossa estimada disse, posso me referir a ti como moça ou por senhorita? Ah! Senhorita! A senhorita nos disse, todo o relacionamento que é surgido pelo amor, deve em esforço preocupar-se com este, como a um pai e mãe é preciso estar sempre com imensa atenção ao filho, devendo trata-lo, limpa-lo e alimenta-lo do melhor que os dois possam oferecer, para que este torne-se forte e amadureça com muita saúde, por isto é tão difícil. Agora entendem o por que eu estou sozinho? Agora sem minhas brincadeiras, continuemos.
Voltando ao assunto do cuidado, devemos sempre observar que em todos os povos, sempre falou-se de escolha, pois a escolha sem responsabilidade traz imenso sofrimento, todas as vezes que nestas histórias destes povos, houve um grande sofrimento foi-se por uma má escolha que pode destruir todo um povo. Como nos ensinam desde já os romanos, gregos, persas, judeus, cristãos, árabes, egípcios, iorubás, incas, maias, astecas, babilônios, sumérios, nórdicos, celtas e muitos outros que não me relatei aqui, mas todos falam que a escolha do humano sem cuidado, sem pesar a responsabilidade e consequências de suas escolhas é um sofrimento de todo um povo, podendo ser também de toda a humanidade.
Pois agora somos deste modo pelos nossos ancestrais, eles foram pelos ancestrais deles e assim segue, do mesmo modo os nossos descendentes serão por nós, culparam a nós também como nós culpamos nossos ancestrais. Quanto isto digo, devem entender-me que refiro-me ao quesito de maldade, pois nos impressiona muitas vezes a certa tendência que temos intricada em nossa essência, não é mesmo? Pensem que eles eram tão semelhantes no intimo a nós que ainda temos os mesmos problemas na essência humana. Agora quem está nisto errado? Pode me perguntar, direi a ti que somente quem poder ver toda a história pode dizer algo, desde o seu principio a seu fim, entendendo que isto não cabe a nós, somente podemos fazer o que achamos melhor para fazermos somente, contribuiremos com alguma coisa na história.
Todo o meu discurso retorna ao ponto do cuidado, sendo o pilar fundamental, onde toda a criatura humana sofre, pois como por muitas vezes ocorre por muito cuidado, acabam pais e mães tomando más ações, embora por boas razões junto a muito medo, machucando aqueles que amam, por isto buscar este cuidado a nossas ações. Pesando com sabedoria como isto irá afetar a quem amamos, seja quem for, óbvio que tudo com imenso discernimento, esta enfim é a palavra principal, discernimento peço a todos nós. 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Meditações II.

II.
Observe sabiamente que poucos olham ao relacionar-se intimamente a alguém com cuidado, tirando muitos dos sabores e das delícias na união em corpos, o que lhes sobram? Pois agora está nítido em meu olhar que o motivo de tantas separações, intrigas e traições, todas debruçam-se nas paixões, num fogo sem dono e a que serve apenas ao corpo, escravizando em sofrimento o sensível do ser. Pois embora a alma também delicie-se com as sensações, todas de emoções fortes e intensas, vicia-se a elas, não pode em paz saciar coisas sutis que são a maravilha da união, no detalhe percebe-se a união dos amados, se o estão unidos ou distantes.
Abaixo deste céu, tudo o que mortais como eu e a ti, podemos fazer é tomar responsabilidade, tudo é responsabilidade, infelizmente muitas vezes percebemos isto  muito tarde ao ponto de não podermos voltar, desfazendo os nossos erros. Acredito que isto atormente a ti também, embora eu não consiga imaginar o quanto, mas suspeito que conforme a velhice venha, isto cause mais sofrimento a nós, não me alongarei em algo tão fúnebre. E o preço a pagar pelo amor, este saudável e agradável a ti e a quem ame, vem-se com um imenso esforço, abnegações e muito desgaste, pois tente imaginar como podem duas vontades diferentes unirem-se, em plena harmonia e coerência, se nem gêmeos são assim, desejam vidas diferentes, quem dirá aqueles que amam-se.
É óbvio que não deve importar-se com meu conselho, pode entregar-se a muitos amores, sentir o prazer em muitos corpos, aumentando a perícia na sua busca de alegria e prazer, mas o coração depois de certo tempo, envolto numa lembrança buscará o que lhe foi mais essencial. Ou se quiser renegar a esta busca, entregando-se a uma vida afastada da alegria do corpo, por algum sofrimento ou medo, está livre, sofrendo com a solidão e o silêncio em noites longas, pois tudo está em nossa responsabilidade, nossa alegria quanto a tristeza. Pois abaixo deste céu, somos todos os prisioneiros e carcereiros de nós mesmos, a nossa prisão é o que acreditamos, se quiser acreditar que é um sábio, ou uma bruxa, um amante, uma virtuosa ou um sedutor, tudo está a teu poder, recebendo e pagando o salário por tua escolha, o bom e o ruim dela, todos unidos como as uvas num ótimo vinho.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Meditações 1.


I.
Que no silêncio, encontre-se em meio aos pensamentos, a virtude necessária para através de um silêncio completo, restaurar-se em mente e coração, como assim acontecem aos que padecem no coração. Pois, observe que sempre, conseguem pesar as coisas que importam aqueles que estão olhando para a morte, esta senhora mostra o que realmente vale, se estar cheio de coisas ou pessoas, mas reflita que é melhor, estar presente que entorpecido com a alegria em comunhão.
Pois a mente e o coração, unem-se, como se os céus e a terra, tornam-se um corpo único, frutífero e magnífico, isto é o que existe-se, quando está acompanhado de si mesmo, estando presente em sua própria vida. Conforme o entender e a compreensão, advindos de um silêncio profundo, soem aos seus ouvidos, enxergará que o ruído não afetará o interno, pois as águas a caírem do céu interno, não possuem mais trovões. Erguem-se as marés, subindo a abalarem e a afundarem a todas as coisas, também secasse até não possuir vida de peixe algum ou criatura, mas como as águas, avolumam-se num canto e evaporam-se num outro.
Ao acordar, encontrará aquele que mais o prejudicou, ele se levantara contigo, olhará pelos teus olhos, respirará por teus pulmões e passará junto a ti por toda a vida, mas ao redor de teu inimigo, encontrará tantos, bondosos e malignos. Verá ingratos, brutos, insanos, maliciosos, sedutores ao mal e de toda a sorte, não se enfureça, pois tu a alguém fora, corrompendo-o também, mas próximos também estarão gratos, gentis, sábios, bondosos, inspiradores e também de toda sorte, a isto pode alegrar-se, pois também alguém fora, convertendo ao bem. Agora entenda que os deuses agem no mundo por teu corpo, tanto os demônios como os anjos, de tua carne eles tomam forma, manifestando-se, pois tu também és pontífice, mas tu escolhes por tua razão quem dará voz, tudo preocupa-se com tua intenção.
Pois a mente quando embriaga-se das chamas e também das ondas a existirem no coração, corrompe-se a mente assim ao corpo padecer, pois encontrar o próprio valor de si mesmo, em exatidão é tão difícil quanto a um qualquer olhar a uma joia; tentando encontrar em sua imaginação um valor adequado, onde tantos elevam além do necessário e outros tantos diminuem além do preciso, onde todos sofrem por verem-se errado. Mas encontrar esta perícia, este conhecimento tão maravilhoso, existe apenas no equilíbrio da mente e coração, onde este olhar avalia em virtude pela luz que busca-se o autoconhecimento, dando o valor certo que alegra coração e também é justo a mente. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Iara a Observar.


Lá que se mora a donzela de cauda escamosa,
Em seus olhos se possui a mais perigosa fascinação,
Oculta-se num revirar da perola mais espumosa, 
De passado se recontou num transformar a ficção,
Que de sua voz doce se ergue cantoria maravilhosa,
Nos poemas se versam na beleza dela a imaginação,
Impregnada de malícia e inocência no olhar da duvidosa, 
Não entende-se os motivos então a homem sua ação,
Pois deste ato no seu passado está ligado sofrer,
Em sua ação a muito tenta portanto se reverter. 

domingo, 16 de dezembro de 2018

Os Amantes (Tarô).

Estou novamente perdido na emoção,
Dever e desejo se confrontam no interior,
Como dolorosa aos amantes é a decisão,
Ser de meu eu por algo que vejo ser inferior,

Negando realmente quem eu sou por isto,
Com dor manifesta-se a verdade a falar,
Virtude que fujo de modo que arrisco,
Por prazer que ouso por tão pouco me entregar,

Tudo isto que me dedico a entoar de meu ser,
Como dos monstros que na noite alimento,
Do oriente e ocidente me desmontando a ver,
De ambíguo significado revelo o momento,

Como a dois amores a me falarem aos ouvidos,
De meu eu que supero ou ao eu que acorrento,
Da escolha a me entregar a destinos providos,
Me entregar a uma das damas de doce acalento,

A dama que me ajuda a reconhecer quem sou,
Lembrando sempre do que posso eu ser então,
A outra que me leva a tudo que coração desejou,
Só me importando a sensação do sentir emoção,

Tormento é então tomar a esta decisão,
Escolher a eternidade ou então a vida,
Embora eu me negue desta precisão,
A enfim ter que colher flor florida,

Choro-me por ter nos olhos esta névoa,
De olhar desapontado na face a existir,
Das belas damas desejo ter então trégua,
De um pedaço de meu ser a se desistir. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Odin à Vagar.



A olhar o brilho de olho retirado,
Luz mística de espírito divino,
Aquele que se assenta a local elevado,
Dos corvos voando no céu matutino,

Ele que caminha por entre videntes,
Embriagado de vinho sagrado,
A mover-se pelo destino a correntes,
Choram as almas do socorro aguardado,

Guerreiros que se movem a ele a clamar,
Entre sangue e vinho se passam os dias,
Dentre morte e cura constante o treinar,
De seus corvos que se têm a epifânia,

Inspirador de sacerdotes e poetas,
A nunca ir contra da lança o escrito,
De seus atos que se ecoam as proezas,
De si mesmo o destino possuir descrito.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Inquietação de Endubsar.

Ouvindo da boca de ser divino,
A tragédia e dor que remonta,
De origem do conflito genuíno,
História dos deuses se monta,

Designo e sorte lançaram a nós,
Nascidos de intuito egoísta,
Da alma sem significado algoz,
De corpo traço possuir o arcaísta,

Das mãos de tantos mestres,
Construídos a tais funções,
Voltado a função terrestre,
A serem então dadas instruções,

Consciência assim produzida,
Implementada na ilusão,
De si mesmo que ele lida,
A salvação à poder na destruição,

Confuso e revoltoso o tão explorado,
Corpo fadado ao destino esquecido,
Caindo e chorando ser guardado,
Da identidade de si o destituído,

Aquele que em nós não acreditou,
Nos mutilou o espírito a tal loucura,
Sem sua dominação não significou,
De nosso desenvolver na procura,

E o que acreditou na nossa capacidade,
Conflito de irmãos a se existir,
Se entregou a nós por cumplicidade,
Nos dando a possibilidade de intuir,

Alguns a saltarem do destino,
Pelo brilhantismo fugirem,
Do potencial que se descortino,
Além do comum convergirem,

A verem então a verdade,
Coisa escondida ao olhar,
A buscarem com assiduidade,
Algo para então os guiar. 

domingo, 2 de dezembro de 2018

A Vagar Pelas Necrópoles.

Silêncio a mente por cada passo,
Do sopro da sabedoria ancestral, 
Do eu antigo que através nasço,
Erguendo da mente o memorial, 

Os choros e risos dos eus antigos, 
A se existirem tantos num único ser, 
Se aproximam como amigos e inimigos, 
A se surgir e desparecer a deus éter,

Deste fogo negro que tudo surge, 
Vindo do inconsciente oculto,
Do significado que tudo unge, 
A visão que me parece vulto,

Desdes as regiões da moral a ir,
No sagrado ser tão dúbio, 
Dos pântanos do instinto a subir, 
Tudo a soar como o pio, 

Vozes das emocionadas,
Alma de ser humano, 
Os tons de professadas, 
Do ser tão estranho.