sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Surgimento do Pensamento.

Se existia uma grandiosa floresta, tão perfeita em formas e espaços, dos quais harmonicamente se passavam a luz dentre as copas das árvores ao chão, florescendo as miúdas flores e acontecendo de dentre elas por caminhos, viam-se serpenteando mínimos rios que mais pareciam fios de águas a levarem frescor as frágeis flores. 
Passeavam naqueles dias, os Nous, observando de canto a canto, harmonizando e aprimorando a tudo que se existia ali. Mas um dentre eles, vinha a todas as criaturas na floresta, os homens, animais, plantas e minérios, lhes provocando a participarem de sua proposta, pois aqueles que dela participassem, seriam semelhantes aos Nous 
Todos se detiveram, muitos por medo, outros por dúvida e alguns por vergonha, mas houve um homem que aceitou a proposta do Nous. E então, o Nous lhe dirigiu para um poço, o qual possuía em seu fundo um pequeno fruto, devendo o homem retornar a superfície com o fruto na mão e entregar ao Nous. E ao se lançar afundando-se no poço, mergulhando, sofrendo de corpo e mente pela pressão, onde lhes escapava conforme descia a consciência e o ar, mesmo com o sofrimento, chegou-se ao fundo, colhendo e retornando a superfície. Chegou-se ao Nous, lhe entregando o fruto e assim, o Nous lhe disse que agora era um igual, afastando-se do homem todos, os Nous e todos da floresta, deixando-o somente consigo.  

domingo, 6 de outubro de 2019

Hiram Abiff.


Tão grandioso mestre, o qual tão prontamente construía o templo, operando pelo esquadro e compasso a máxima maestria. Em exatidão de belas formas, espaços concêntricos a se harmonizarem, gerando na maravilha de materiais diversos, os quais unidos foram no gerar a forma sublime que foi o Templo de Salomão.  

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Dá-me o dom do Discurso Anansi.


Oh Kwaku Ananse, tu que dentre todos és o mais pequeno, caminha em direção ao perigo sem que esteja armado e volta-se sem o minimo arranhão. Por tua astúcia, os poderosos e sábios são feitos tolos, pois te menosprezam e te ridicularizam, onde tu aproveita-se disto, conseguindo dos deuses todas as maravilhas.

Deixe-me ter a tua hábil maestria ao tecer discursos e ao convencer até do improvável, tendo deles a máxima convicção.

Sei que dentre todos neste mundo vê que nós, somos ainda os mais menosprezados e diminuídos, mas dentre os de minha casa, sou eu o menor.

Dá-me tua exímia tecedura e cantarei a ti, ofertarei frutas e perfumas até que se findem os dias de minha vida. Ouve-me e dá-me voz. 

sábado, 31 de agosto de 2019

O que é Arte? - #Reflexão.


Oh Apolo!
Oh Atena!
Oh Afrodite!
Oh Calíope! 

Ajudem-me, conduzindo minhas palavras, não errando e nem mesmo ferindo o pensamento de ser nenhum. 
A arte esta sendo conduzida pelo coração de seus feitores, onde embriagados de seus sentimentos e crenças, a inundam, dando forma a ela, lhe impregnando como a entendem, desejosos de seus sentimentos a embelezarem e lhe dão partes de sua alma. Carregam-na de seus conflitos, defeitos e virtudes, tornando-a impar e por outras vezes par, cheia de melodia e tons, mas tudo isto, origina-se pelos sons ou ruídos de seus corações.

Existem os que a entendem, exaltando-na como os antigos, mais bela que o possível, um cântico gigantesco, a beleza sendo mais bela que o natural, suas feições mais delicadas que o entendível, esta exaltação, exprime em tons de frustrações e lamentações uma desilusão. Como os poetas que escrevem grandes belezas sobre o amor, mesmo nunca tendo amado ou sido amado, mostram a idealização, este ponto de sonho, cheio de decepções, tristezas e dor. Mas encontram nos belos gracejos que exprimem, na linguagem possuindo uma intonação como cânticos, melodias e harmonias, palavras tão belas, uma forma de respiro, de aconchego e de escapismo em tormentos pela superestima que dão a dona Arte.

Enquanto existem outros que a exprimem, pelo modo como a enxergam, sentimentos tão corriqueiros e tão conflitantes, mas superficiais, cheios de ilusões e preconceitos. Formas de prazeres e dores que se mesclam, seus rostos cheios de confusão, somente possuem o entendimento de estarem o sentindo, expressando em meio aos turbilhões de sons, melodias e canções as sensações e emoções, mergulhando em seus próprios corações mais voltas e voltas. Dão eles a dona Arte um movimento continuo, mas superficial e muito sensível com um corpo muito ferido por tantas voltas.

Aos que se entregam a simplicidade do natural, suas curvas e tons, não possuindo qualquer diminuição ou aumento de qualquer beleza, nem mesmo qualquer movimento, tendem a gerar uma forma simples, sem paixões e também sem alma. Tão povoado pelo silêncio e pelo que suspeitam ser o equilíbrio, permanecendo, tendendo e pouco mudando, dão a bela dona Arte uma aparência muito esquecível e confortável. 

E aos que a vestem com os extremos de seus sentimentos, lhe enfeitando com o caos de seus corações, fazem criações e destruições, tão volúveis como a Fortuna, fazendo ser confusa a dona Arte, lhe dando sensualidade e por vezes ao mesmo tempo do oposto. Sendo difíceis de entender-se, como se toda a lógica tende-se a ruir, colapsar e se desestabilizar, rodopiando nas confusões dos corações de seus devotos, estando diante desta dona Arte um corpo fantasmagórico e sem consistência. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Oh Sorte! Oh Fortuna! Oh Abundância!

Oh Sorte!
Oh Fortuna!
Oh Abundância!

Tão volúvel é,
Hora Generosa e Hora Maldosa,
Sorrindo sempre em cada ação,
Atormenta todos pelo seu desejo,
Os destrói com o poder que dá,
Faz os fortes se curvarem aos fracos,
Os ridículos terem mais razão que os sensatos,
Os maus serem soberanos,
E ainda tira deles o poder,
Os fazendo apodrecer,

Dá a todos tanto prazer,
Mas teu humor pode mudar,
Mais pior que o inferno será,
Para aqueles que te zangarem,

Divertindo-se com a mente de todos,
Fazendo-os sofrer e lamentar,
Hora,
Fazendo-os se alegrar e amar,

Ai de mim!
Ai de nós!
Ai de todos!

Por diante de ti estarmos todos nus,
Indefesos,

Nos oprime com a riqueza,
Nos oprime com a pobreza,
Todo prazer transforma em dor,
E toda a dor em prazer,

Oprimindo-nos tanto,
Beneficiando-nos tanto,

Derrama tua abundância,
Dolorosa e Prazerosa a nós,
Sempre nos subjugando,
Até que daqui partamos,
Em som cheio de melancolia. 

sábado, 10 de agosto de 2019

Poço de Mimir.

Ao dirigir meus olhos a este poço, vejo o reflexo meu, em tremular de linha na água, cintila no fundo algo místico que volta-se a mim, olhando-me com tom sublime, sob água na treva há o olho de Odin.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Dante e Virgílio.

Vi à dois homens que a um monte subiam, um vestido de um manto vermelho e outro com um manto branco, possuindo o de branco na sua cabeça a coroa de louros. Ao redor deles, subiam e desciam, homens e mulheres que sobre as costas grandes pedras traziam, os seus rostos caídos ao chão estavam. Viam Dante os perguntar, enquanto caminhando os acompanhava em conversa, estando Virgílio parado a observar, onde os pífios ventos do Purgatório faziam farfalhar as folhas do louro na cabeça.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Loki a Corromper.


Olhai ao irmão em pacto de sangue de Odin, o qual manifesta-se a corromper o coração dos homens, desmanchando por meio de seus atos e palavras toda a ordem. No seu caminhar por entre os homens que se rebelam estes à seus reis e morrem tantos em desgraça ouvindo o eco de seu riso ao longe.

sábado, 25 de maio de 2019

Provar do Proibido.

No momento que os mais belos lábios do fruto provaram, onde ao passar pelo palato e língua, percorrendo da garganta até o estômago, de toda a maravilha, em mínimo instante houve solene silêncio, carregado por todo o jardim de visível tormento e no sentir daquele que do proibido fruto provou, quando dos olhos abriram a ver em si mudança, o presente silêncio tornou-se em solene e unânime de todas as coisas em suspiro de total tristeza.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Faetonte à Cair.


Veja o jovem filho de Apolo, o qual em seu ímpeto deseja a carruagem celeste de seu pai, a qual num cruzar de o céu de poente à poente ilumina todo o mundo, mas os magníficos cavalos, possuidores eles de maravilhoso vigor, movendo-se num galopar abrupto que as rédeas escapam-se das descuidadas mãos do jovem, num cair do alto, enxergam a trágica agonia do cair de Faetonte sobre mar à evaporar que lesionou a gerar no mundo o infértil deserto do Saara.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Amadurecer.


É no toque de Cronos sobre a pele de Eros que de criança à homem transforma-se, enquanto em contínuo transformar-se que as asas do desejo são cortadas e se restauram à crescer novamente, mas a face deste enche-se de sabedoria e malícia ao toque do Tempo.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Ao Professor.



Tão imenso e estrondoso é meu choro, nem os condenados que afogam-se no Estige, superariam meu padecer. Pois um filho de Quiron, professor e mestre se fora para além, onde nem em Índia ou China, poderia o buscar, muito além deste revoltoso mar que barqueiros se caíram em horrorosos naufrágios e suas vozes tomadas pelas águas.
Quando este se veio a mim, eu por sempre estar sendo podado e cortado em meu imaginar e nas pífias imaginações de solene menino que eu era, fui revelado o padecer da vida de tormentosa e angustiante responsabilidade.
Como o insolente e intrometido menino que do amar a filosofia e a história como ao deus que nunca o sacrifício tenha feito, sem imolar e perfurar o inocente de minha consciência, este desentendido novilho que caminha agora iniciado, tomado por sacerdote a queimar em Sagrado altar e o vapor ser perfumado as narinas da ditosa Sabedoria. Sou e fui o novilho que fugirá para desconhecido deserto a rochoso altar sacrificado.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Madame Bovary.




Lendo o seu livrinho a sonhar,
Encantos e maravilhas no imaginar,
No cotidiano a pestilência da morbidez,
Encontrando em tudo tal mesquinhez,
Aprisionada a correntes no cotidiano,
Mesmo o adultério ser tão mundano,
A história que levanta questionamento,
Da vida em sociedade o tormento,
Sofrendo do papel que se espera,
Tão emocionante frustração que se estrela,
Em todo o lugar nasce o frustar,
Mesmo de quem deve-se o amar.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Ouvindo a Calíope.



A lua no agora lamenta no sussurro,
Os ventos em violência ouve-se o urro,
Das flores que agora desabrocham,
Relâmpagos então entoam,
No murmúrio das águas,
No farfalhar das fagulhas,
Ouço a tua voz,
Vindo para todos nós,
Falando de algo inaudível,
Até na palavra ser indescritível,
Dos infinitos desertos a ouvir,
Nestas extensas florestas vou intuir,
Percorrendo a tudo em eterno silêncio,
Me ver buscar a ti no ócio,
Sem de mim mesmo notar sofrimento,
Embriagado do meu ser no momento,
Nas altas ondas o salgado espumar,
Na luz do Sol vem o chorar.

Enquanto procurava a imagem acima, deparo-me com esta linda foto. Sinto que deveria por junto. Eis aqui! Caso não tenha pegado, ela é a Calíope da animação da Disney do Hércules.

sábado, 9 de março de 2019

A Dança da Shakti.



Olhe tu que sempre move,
O som de tuas infinitas jóias se ouve,
Rodopiando na dança majestosa,
De tua habilidade gloriosa,
Do teu corpo gera infinita vida,
Mundos e Universos contigo quem lida?,
Em eterna sedução à Shiva,
Dos teus perfumes o mover exala,
Por teu ventre tudo nasce,
Nascendo do teu infinito êxtase,
Do teu toque em criatura,
Não sendo contida na figura,
A que mantém toda à Maya,
Tua irá pior que ataque de Naja,
Toda mulher manifesta teu poder,
Difícil a ti os corpos não ceder,
No amor à donzela a ti me conduzo,
Em tua inacreditável beleza me curvo,
A encontrando em toda figura feminina,
Carregando a ti dentro em estrela vespertina.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Enkidu e Shamhat.


Donzela que mente animal civiliza,
Enkidu transforma-se pela sacerdotisa,
Pela arte de seu amor em alguém civilizado,
Do pleno animal em educado,
Engana-se no acreditar que isto hoje não nos fala,
Pois quem dentre nós não tem algo animal na alma,
Nesta sacerdotisa de Ishtar,
Por sua arte vai educar,
Ela que é uma prostituta da deusa,
Entendimento de antes era diferente de hoje se usa,
Das que no hoje sofrem segregação,
Antigamente à Humanidade fez contribuição,
A história ser tão engraçada,
Vemos tantas das percepções reformadas,
Aquilo pelo prazer fora ofício sagrado,
No entender de hoje ser degenerado,
Voltando ao intrínseco tema,
Veja pela história o trema,
A sedutora ao elevado,
Que do feminino foi retirado,
Como Enkidu conduzido à civilização,
Trabalhado da mente e coração,
A cumprir filosófico destino,
Amenizado na dor de nossos hinos,
Gilgamesh no futuro perceber,
Que tudo leva ao morrer,
Pois à Shamhat Enkidu foi levado,
Em seu destino fora atado.

A Romper à Casca.



Tamanha da alma melancolia,
Angel's Egg à te entender outros recorreria,
Como os grandes peixes as sombras,
Percorrendo à cidade jogadas as lanças,
Menina vazia carregando o ovo,
Do carregar perder a forma ter seu renovo,
Baleias assombrosas a lhe atormentar,
Algo não fisgado a reclamar,
Sozinha por tanto lugar à percorrer,
Como em si tendo forma à manter,
Tua narrativa de tédio a apadecer,
Tema religioso que de si vem morrer,
Símbolos e metáforas tão vazios,
De teu feitor problemas tão nítidos,
Na destruída forma o perseguir à cair ao vertical,
Água profunda refletir fim clerical,
No findar multiplica o legado,
Que acredito do autor ser recado,
O do rapaz o final do destino consumação,
Visão que sei pouco parecer noção.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Ouvir à Hobbes.



Olho ao redor neste dia,
O vejo por aí quem diria,
Teu pensamento não conheceu ou entendeu,
A quem muito atrás morreu,
Muitos sem saber falam de teu Leviatã,
Poder repressor tão vil como Satã,
A sociedade se ajeitar por violência,
Problema muito maior que isto a cobrar consciência,
Entendo que isto de conflito civil surgiu,
E em sua mente intuiu,
Comparou Rousseau disciplina de pastor e gado em crítica,
Mas Hobbes diz que o homem é lobo do homem foi a réplica,
De monarquia isto veio surgir,
Hoje certos poderosos a política assim a vão vestir.