domingo, 3 de março de 2019

Oh Remador!



No brasão de teu escudo, na luz de Rá que lhe cai do firmamento, reflete-se o símbolo do deus em teu barco, mas tu louva apenas dele o desenho.

 Oh remador, enquanto canta à Osíris, movendo-se com a força de teu braço no negro Nilo.

Olha para dentro do teu barco, o deus que em sussuros o chama.

Pois o deus lhe chama pelo verdadeiro nome, o nome esquecido de tua alma, este nome é mais sagrado que dos deuses e maior que de todos os mistérios.

Ouça-o em meio aos suspiros das águas, os cantos do ventos, do sopro de Seth a erguer as areias no deserto.

Ouve a sutil voz que em tudo mistura-se e perde-se no murmúrio do mundo

sábado, 2 de março de 2019

Canto à Afrodite.



Do teu toque todos carecem,
E do toque do lábio desejem,
O teu carinho é completo prazer,
A tua ira é muito pior que o sofrer,
Donzela divina a surgir,
Sua essência venho intuir,
Espírito a penetrar água espumosa,
Da pérola espuma figura virtuosa,
No prazer do casal é manifestada,
Nos doces suspiros e delícias é apreciada,
Sempre o coração lhe deseja,
A convida e espera que esteja,
Rapazes e moças a buscam,
Na tua partida sempre choram,
Em favor lhe roga,
Tu deles o coração prova.

Canto à Gaia.



A agora tão esquecida,
A todos conceber vida,
Flora, fauna, divino e hominal,
Deuses e homens lhe dar memorial,
Grande Matriarca Solitária,
Que do ventre tudo geraria,
Como então podem esquecer,
De quem sem nunca iriam nascer?,
Não percebem suas dores?,
Pois com ela cometemos horrores,
Não somos todos seus filhos e suas filhas?,
Por nosso ego cair nele em armadilha,
Quanto ainda terá paciência,
Esperando de nós nascer consciência?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Dançarina do Deserto.


No sútil mover de cintura enlouqueço,
Pelos seus encantos de tudo esqueço,
Nas sombras de seu véu mora o desejar,
Pois de seus sabores venho provar,
Na conhecedora de meu coração,
Nem Alá me guarda da tentação,
O som de suas tantas jóias me é melodia,
Rodopiando e balançando em plena sinfonia,
Ela que se vem a tudo tomar,
Pelo meu amor vou tudo entregar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Ask e Embla.



Dos três irmãos esculpidos,
De freixo e olmo construídos,
Três foram os dons dados,
Tendo que saber serem cultivados,
A assemelharem dos divinos,
Mortal a impressionar os reinos,
Sem sofrer das ilusões,
Do corpo e espírito confusões,
Cumprindo o dever em Midgard,
Valquírias a me erguerem a Asgard,
A ouvir de Gylf a história,
Passagem a ser vinda da memória,
Dos lábios de quem me criou,
E agora tanto me recompensou.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Tédio.



Me renasço a todo silêncio,
Descobrindo ser em algo inéscio,
Na sombra que então caminha,
Neste palco que se recria,
Dos astros infinitos além,
No sofrer de rotina me detém,
Prisioneiro da simplória humana vida,
Em beber um pouco de arte me alivia,
Dos amores e ilusões me esqueço,
Dá profundidade do ser me esmoreço,
Perfurado do dardo de tempo a sangrar,
Nesta figura que é de eterno transmutar,
No silêncio tocado por infinito,
A si tentar ser comprometido,
No lugar a tal palavra única,
Transmiti-la de forma mística.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Ouvir o Coxeiro.



Ouça as palavras de lábio simples,
Através da sabedoria tão díspares,
Da maestria nunca antes manifestada,
Tanta riqueza a ser sussurrada,
Pelos olhos o Universo é visível,
Na palavra a eternidade é acessível,
Pois o Govinda está diante de ti,
Somente no silêncio o irá ouvir,
Aquele que sempre esteve dentro,
Sem tu ouvir o som de tal maestro.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Tritão.


Nos olhos o profundo mistério,
Que nos da donzela fica critério,
Fascínio a ser tomada,
A encantar a desavisada,
Por vir de mundo tão oculto,
Do sentimento perder-se por tumulto,
Pela tal beleza e imenso encanto,
Que a ele entrega-se por belo canto,
Não importa-se de afogar,
Já fora naufragada a amar,
Perderá de si a razão,
Pelo rapaz afogada à paixão.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Canto I.

Não me negue a tua única palavra,
Se poderes me dizer sem as palavras vãs,
Sem culpas, mentiras e sem paixões,
Oh minha amada, fale-me da alma.
Não ti esqueças de teu coração e de Ti mesma.
Abençoe este mundo com tua Palavra sem demora.
Fala no silêncio.
Voz do Coração.
Sem abrir os lábios se comunica,
Deixa a pegada sem o pisar.
Pois nunca fora além do que é sempre,
E nunca será além do que é eternamente,
Mas o que é não se vê,
Pois é reminiscência da Unidade,
Sendo tu o agora.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Aion Phanes.

Além da cintura a escamosa serpente,
Retorcendo à espiral segredo corrente,
Dos signos e deuses o rodopio a influência,
Aos entendidos de mistérios as consequências,
Significantes aos olhos serem fantasmagóricos,
Mas manifestos em tais eventos cronológicos,
Na aurora reminiscência na ruína,
Da glória carrega pretexto da sina,
Findando-se agora este tal evento,
Revelação a transparecer no exato momento.